A globalização chegou, faz tempo, ao mercado de trabalho. Porém, o que isso significa? Ao longe, significa que o profissional deve ter ou desenvolver algumas competências fundamentais para fazer parte dessa Era do Conhecimento. Aqui, não importa a idade, fator esse que assustou boa parte dos profissionais acima dos 35 anos durante muito tempo. O que importa para poder estar inserido no mercado de trabalho é ser igualmente globalizado, assim como o mundo.
Mas, quais são as características então necessárias? Independentemente da idade, como exposto acima, o profissional deve ter vontade de aprender, ter capacidade de comunicação, ser movido por desafios, ter capacidade de adaptação e de relacionar-se com pessoas do mundo todo levando em conta a sua cultura e deixando-se influenciar por ela também.
Não diferente de tudo o que cerca a nossa vida, em ralação à carreira, também há pontos antagônicos que permeiam o mercado de trabalho e sob a qual a nossa sociedade, de certa forma, funciona. Nesse sentido, há a juventude versus experiência, a estabilidade no emprego versus dinamicidade e permanência versus rotatividade. Todavia, no mercado de trabalho global, há a necessidade de se rever conceitos e fazer planejamentos constantes, independentemente da idade. A máxima de que o mercado quer apenas os jovens não reina tão absoluta mais, ou ainda, de que os jovens é quem têm as boas e mais modernas ideias e soluções.
Sem dúvida, a Era do Conhecimento deixou a nova geração em vantagem, pois já desenvolveram-se submersos nas mais variadas formas de tecnologia e possuem uma forma de raciocínio com o qual já está atrelado à expansão dos relacionamentos além fronteiras e têm uma maior afinidade com essa tecnologia. Porém, alguns pontos ainda fazem a diferença como, por exemplo, a mescla do conhecimento com a experiência. Então, se partirmos dessa ideia, os profissionais com mais tempo de empresa, se souberem acompanhar a globalização, podem levar vantagem.
A condição para que isso aconteça está na capacidade do profissional que já tem uma carreira longa saber se movimentar nesse novo ambiente. Um ambiente que exige uma mudança de hábitos, da forma de ver o mundo, de pensar o seu papel na organização, na sociedade e em sua vida particular. De certo, não há lugar para o profissional que executa a mesma função há 10 anos. Aliás, 10 anos é muito tempo e as mudanças ocorrem em espaços temporais muito menores, às vezes, de um ano para o outro.
Portanto, estamos vivendo inseridos em uma mudança que começou há 10 anos, quando a forma de se pensar a vida, o trabalho e as relações sociais sofreram alterações importantes. Nesse meio tempo a tecnologia da computação tomou conta de nossas vidas e hoje não vivemos mais sem ela, o que reflete diretamente na nossa forma de trabalhar e na necessidade de cominá-la também.
Por essa e outras razões, mesmo para os mais jovens, a estabilidade no trabalho e a permanência na mesma função executando-a com os mesmos procedimentos não existe mais. Hoje quem dita a regra é o conhecimento. Aqui, não importa a idade e nem a formação acadêmica, mas, sim, a capacidade da pessoa enxergar as transformações diárias e tirar proveito delas.
Estamos todos afetados pela globalização. Tanto internamente quanto externamente, no lugar onde trabalhamos, há a globalização. O profissional deve ter uma visão global para agir localmente, mas pensar globalmente. Nesse sentido, pontos que devem ser levados em consideração são também a competência e o desempenho do profissional. Para ele executar suas funções com qualidade deve ter um desempenho que esteja ligado a como ele vê o mundo em sua volta (LOBATO, 2009).
Esses pontos influenciam diretamente no desenvolvimento do seu trabalho. O tempo de trabalho é extremamente benéfico e as empresas precisam dessa experiência, mas com profissionais que buscam o desenvolvimento pessoal e profissional constantemente. Existe, então, a necessidade de evoluir permanentemente e, também, de acompanhar o movimento e as transformações do ambiente, bem como desenvolver a capacidade proativa e de participação.
Assim, nada é permanente e exige-se que as pessoas possam perceber que é necessário esse movimento de abertura para o mundo. Como essa antiga estabilidade não existe mais, então as pessoas que faziam parte de uma antiga visão de mundo e de mercado de trabalho precisaram também evoluir. Foi preciso se desapegar da velha cultura paternalista e passar ao passo seguinte de desenvolvimento humano e empresarial. Esse desenvolvimento criou uma nova forma de estar no mercado de trabalho e a necessidade de estar sempre dentro de uma transição que o novo modelo exige.
A mudança de uma cultura de segurança no trabalho para uma que exige determinadas características provocou uma mudança de cenário e de mentalidade dos colaboradores dentro das empresas (SANCHES, s.n.). A partir desse momento foi necessário que as pessoas saíssem da posição passiva para uma posição de colaborador, como sugere a nova forma da empresa se referir ao seu capital humano.
Portanto, a permanência hoje depende do desempenho, da capacidade do profissional de ser ou desenvolver capacidades que são exigidas no mercado de trabalho moderno. Conforme reportagem da edição 145 de julho de 2010 da revista VOCÊ S/A, o mercado hoje é sem fronteiras e exige algumas competências que devem ser desenvolvidas para se ter sucesso.
Entre essas competências citadas na reportagem estão a vontade de aprender, na qual o pessoa está em um processo de aprendizagem contínua e de acordo com as necessidades que aparecem. Há também a competência da capacidade de comunicação, em que é necessário para que se estabeleça as relações profissionais, o que exige ter proficiência em outras línguas. Ainda, há a predisposição da pessoa para conhecer novidades e poder interagir com outras culturas e ambientes. Este fator leva a necessidade de que a pessoa apresente aptidão para desenvolver relacionamentos e vínculos com pessoas de outros países e se deixa receber e influenciar pela cultura deles.
Também, nesse contexto, de freqüentes mudanças, a capacidade de adaptação a situações novas e inusitadas é competência importante nesse mesmo sentido, pois deve estar preparado para para o desconhecido.
Portanto, chegamos em um momento de que é preciso variar, experimentar coisas novas e propor soluções com a visão no futuro. A experiência no trabalho sugere que as pessoas queiram permanentemente descobrir o novo e adaptar-se rapidamente ao que acontece no dia a dia. Não há espaço para o profissional que inicia sua carreira em uma empresa e pretende aposentar-se nela o que para ele e para a empresa isso não é produtivo e não agrega valor a ambos.
Assim, somos um cidadão do mundo e tudo nos afeta e temos que estar preparados para responder a ele e ao que com ele se apresenta. O desenvolvimento de pessoas com a cabeça globalizada é passo fundamental não apenas para conquistas pessoais, mas, também, para o desenvolvimento de um país.
Não há outra alternativa além de que as pessoas possam se tornar profissionais dispostos a conhecer o mundo que os cerca e deixarem-se também ser por ele conhecidos. Ainda que a globalização tenha aberto fronteiras, a motivação individual para aproveitar esse momento deve estar presente nos profissionais da Era do Conhecimento. O conhecimento guardado não tem funcionalidade alguma, porque a mudança de pensamento e da forma que se vê o trabalho deve ser compartilhado para que acrescente valor.
Portanto, ao profissional dos nossos tempos só resta a capacidade de perceber o mundo e estar constantemente atento ao que o mercado sinaliza, mas sem perder a condição de ser um cidadão que precisa das pessoas para poder constantemente evoluir.
Referências bibliográficas
LOBATO, David Menezes. Estratégia de Empresas. 9 Ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2009. 208 p. - (Gestão Empresarial (FGV Management)).
REVISTA VOCÊ S/A. EDIÇÃO 145. JULHO DE 2010. EDITORA ABRIL.
SANCHES, Cristina. Quanto vale sua experiência? [S.l.: s.n.].