A forma do homem perceber o mundo que o cerca sofreu transformações importantes. Agrega-se a essa percepção, a possibilidade de se comunicar e de aprender, os quais são processos fundamentais que acompanham a humanidade desde seu surgimento.
Passados milhares de anos e muitas conquistas por este mesmo Homem, encontramos alguns desafios que remontam à pré-história e que são questões que nos inquietam até hoje, entre as quais, podemos citar: o saber e a capacidade de comunicação entre as pessoas.
Essas duas questões sofreram ao longo dos anos as mais variáveis transformações e, ainda hoje, com o advento da tecnologia discute-se as suas formas, sua eficiência e o contexto sociocultural do qual fazemos parte. É um assunto atual que impulsiona e promove alterações na maneira das pessoas pertencerem ao mundo moderno. Então, há, neste momento, esta transição que o Homem precisa se adaptar como outro passo para a sua permanente evolução.
A partir de então, surgiram questões e exigências de adaptação à nova realidade. O que encontramos hoje no meio organizacional é, em algum grau, a resposta do Homem a esta transformação.
Todavia, algumas questões ainda estão presentes: como as pessoas devem responder às crescentes mudanças sociais e culturais que o mundo moderno exige, bem como ao desenvolvimento da tecnologia para a comunicação e informação no tocante a aprendizagem e ao acesso a informação? Todo este processo impulsionado pela globalização inaugura uma era chamada de sociedade do conhecimento ou da informação. Quais as características dessa sociedade? Quais os efeitos da globalização? Quais os desafios enfrentados pelos trabalhadores neste novo contexto?
Participante ativo deste momento de evolução tecnológica, a sociedade do conhecimento coloca o ser humano frente a uma nova etapa de seu desenvolvimento. Em um constante processo de adaptação e acomodação, as exigências dessa sociedade fez com que o homem buscasse alternativas para enfrentar este momento e uma nova realidade foi criada. Dessa forma, fez-se necessário que ele estivesse atento a estas transformações e algumas características importantes são encontradas atualmente, entre elas:
-a disseminação do conhecimento exige que as pessoas tenham uma visão geral de tudo o que os cerca, por exemplo, deve-se ter noções de economia, de RH, de finanças, de negócios, entre outras áreas que podem influenciar direta ou indiretamente nas empresas (SCISTOWSKI, 2008);
-a tecnologia acarreta em mudanças culturais, afeta interesses, valores e a rotina nas empresas, e exige que as pessoas possam se adaptar rapidamente a elas com um aperfeiçoamento contínuo sob o risco de perderem seus empregos (MONTEIRO, s/d);
-a tecnologia possibilitou que negócios sejam realizados por teleconferências, por trocas de email que, além de diminuir o custo para todos, amplia a área de atuação dos negócios da empresa (COLEN, 2007);
-o atual mercado de trabalho exige algumas competências pessoais que visam a adaptação ao novo para que alternativas sejam criadas frente as dificuldades. Dentre as características pessoais podemos citar: ter conhecimento do negócio; ser flexível para lidar com as mudanças rápido; sensibilidade ás diferenças individuais apresentadas no grupo; saber lidar com incertezas e estar sempre disposta a um aprendizado contínuo (PESTANA, 2003);
-a tecnologia da informação é considerada uma vantagem competitiva para as empresas e os profissionais devem estar atentos a isso (ALECRIM, 2005);
-com a dependência entre os países de primeiro e terceiro mundo, pois um depende dos serviços e da matéria-prima do outro, a necessidade da rapidez na comunicação fez surgir a evolução em como a informação é transmitida para estar atualizado com notícias que podem definir o futuro dos negócios da organização (COLEN, 2007);
-pela rapidez das informações, o mundo dos negócios é influenciado diretamente como, por exemplo, a bolsa de valores em que uma notícia referente à economia nos EUA instantaneamente é sabida no mundo todo e altera as negociações das ações das empresas, o que faz com que pessoas ganhem ou percam dinheiro em questão de segundos;
-há novas áreas de atuação e a tecnologia é uma ferramenta utilizada para estreitar distâncias e facilitar o desenvolvimento de ideias (TEGON, s/d);
-outras formas de relacionamento foram criadas e utilizadas para o networking, para a ampliação da capacidade de exposição do currículo profissional e o oferecimento de serviços que são as redes sociais, bem como empresas já fazem uma pré-seleção de candidatos por meio de redes sociais como o LinkedIn;
-a expansão de cursos de Educação a Distância como forma de alcançar o maior número de pessoas e facilitar o acesso à educação;
-a possibilidade de ter um negócio virtual é uma realidade e várias empresas oferecem serviços com escritórios virtuais, onde todo o processo é realizado nesta esfera, inclusive a exposição do produto com o qual a empresa trabalha;
-as relações humanas no trabalho são modificas em empresas que adotam o conceito da equipe virtual, na qual o relacionamento e o trabalho entre os profissionais é todo virtual, abrangendo pessoas de diferentes Estados e cidades sem perder o foco nos objetivos e estar praticamente livre de picuinhas do ambiente de trabalho convencional (MONTEIRO, s/d).
Essas são algumas das características que são visíveis e que alteraram significativamente o modo como o mercado de trabalho hoje é vislumbrado pelos profissionais. Existe uma corrida pelo novo, uma necessidade de antecipação ao que vai acontecer sob pena de entrar para o grupo dos que não pertencem a este novo mundo. O acesso à Internet banda larga e a comunicação entre computadores, por exemplo, proporcionou mudanças na vida das pessoas na maneira delas trabalharem, em seus estudos, na forma de comunicação e na diversão (REVISTA EXAME, EDIÇÃO 963, N°4, 10/03/2010).
Como em toda mudança, surgem desafios paralelos ao novo contexto que podem dificultar ou interromper este processo se as pessoas não estiverem atentas a este movimento. Em um primeiro momento, a preocupação com a existência do trabalho convencional é colocada à prova. Haverá no futuro o trabalho como o conhecemos, bem como as funções que existiam até então? Foi a primeira questão apontada pela sociedade e pelas pessoas inseridas no mercado de trabalho. Sem dúvida, algumas profissões sumiram e outras foram adaptadas à realidade que emergiu.
Com as mudanças das funções realizadas por alguns profissionais dentro das empresas, foi fundamental que houvesse a preocupação e o interesse destes em aprimorar os estudos, ampliar os conhecimentos diversificando-os, a fim de que não houvesse demissões por se tornarem obsoletos à empresa sendo aproveitados em outros setores (SCITOWSKI, 2008).
Também, uma crescente desconfiança e incerteza acerca do que estava por vir deu início ao planejamento de estratégias de enfrentamento deste período. Alguns desses desafios puderam ser vistos nos empregos formais que perderam espaço para a ampliação das possibilidades de agregar capital humano, como os trabalhadores autônomos, a terceirização dos serviços e as atividades ligadas ao setor informal da economia. As empresas tiveram que investir em sua mão-de-obra para qualificá-la e suprir a carência de profissionais para acompanhar o crescimento e evolução da sua área de atuação (SCITOWSKI, 2008).
Nesta mesma linha, diante das possibilidades de atuação e da exigência do mercado, o estudo contínuo e atualização por parte dos profissionais se fez necessária e urgente (VIANNA, s/d). Então, o mercado passou a exigir determinadas características pessoais do profissional colocando-o em um contínuo processo de mudança (PESTANA, 2003). Ainda hoje existe uma defasagem quanto ao que o mercado oferece em oportunidades e serviços e o que os profissionais conseguem de fato acompanhar para se manterem atualizados, como exige o mundo globalizado (LOUREIRO, s.n).
As empresas viram a possibilidade de diminuição de custos, de tempo e da burocracia para fechar negócios, modificar a forma de trabalho, a capacidade de realizar o treinamento de seus funcionários, ainda que em filiais em várias cidades, facilitados de maneira vertiginosa (FELIPINI, s/d). Dessa maneira, o acesso à internet banda larga tornou-se um instrumento fundamental para o desenvolvimento de qualquer país. Estudos do Banco Mundial em 2009, apontam que a riqueza per capita de países desenvolvidos aumenta 1,21%, e em 1,38% em países em desenvolvimento quando há a inclusão de dez assinantes de banda larga para 100 habitantes (REVISTA EXAME, EDIÇÃO 963, N°4, 10/03/2010).
A circulação da informação criou condição para que as empresas possam ter mais certeza e segurança quanto a tomada de decisões. Toda essa gama de conhecimento disponível possibilita um ambiente no qual a inovação e o empreendedorismo são qualidades diferenciais do profissional na perspectiva de crescimento no mercado de trabalho (LOUREIRO, s.n).
Dessa maneira, a globalização criou um outro panorama nos limites entre os países em relação a interação, a dependência e as exigências do mercado de trabalho (COLEN, 2007). Foi necessário que o trabalhador se adequasse à nova realidade para que seu emprego não fosse sacrificado. Ainda, para superar esse obstáculo, foi exigido que velhos hábitos fossem abandonados e que o profissional se tornasse um agente de transformação criativo, pró-ativo, entre outras características. Dessa forma, mudou também a atividade humana na empresa, onde foi necessário transformar a forma de trabalhar deixando a delimitação específica da função para o dinamismo e a criatividade em prol da organização (TEGON, a, s/d).
Como um exemplo a isso são os cortadores de cana do interior do Estado de São Paulo. Conforme reportagem exibida no canal Globo News no telejornal Em cima da Hora, no dia 03/03/2010, os cortadores de cana começaram a fazer cursos técnicos para trabalhar com as máquinas utilizadas para a colheita da cana, porque as queimadas, método utilizado até hoje, deverão ser suspensas até o ano de 2017 com o objetivo de diminuir a emissão de CO² que ocorre quando este processo é realizado. Ou seja, os cortadores de cana perderão seus empregos se as empresas em que trabalham não se adaptarem às exigências ambientais e com isso é inevitável que estas pessoas sejam preparadas para esta mudança em sua atividade o que influenciará até em sua vida pessoal. Esta modificação foi vista como positiva pelos cortadores de cana que relatam terem aumentado sua capacidade de atuação no mercado de trabalho, além de uma abertura na forma deles verem e participarem da sociedade do conhecimento.
O exemplo acima citado mostra que toda esta evolução obrigou que os dirigentes das organizações dirigissem o seu olhar para o capital humano com o objetivo de avaliar se os profissionais que fazem parte do seu negócio estão capacitados para os novos desafios e para as exigências do mercado (TEGON, b, s/d).
De acordo com Adriana Beal citada por Do Carmo (s/d), “ o principal benefício que a tecnologia da informação traz para as organizações é a sua capacidade de melhorar a qualidade e a disponibilidade de informações e conhecimentos importantes para a empresa, seus clientes e fornecedores. Os sistemas de informação mais modernos oferecem às empresas oportunidades sem precedentes para a melhoria dos processos internos e dos serviços prestados ao consumidor final”.
Um ponto importante que o advento da tecnologia trouxe foi a de deixar de ver a empresa como processo burocrático e de controle, para direcionar sua atenção para as pessoas (TEGON, a, s/d). Neste ponto o RH tem participação importante, pois é a área integradora e participante direta deste processo de mudanças dando um novo olhar à organização.
De acordo com Tegon (a, s/d), os profissionais de Gestão de Pessoas são agentes de permanente transformação e possibilitam que a organização ingresse e incorpore a cultura da informação.
Não há como fugir desta mudança e se a organização deseja chegar ao sucesso do seu negócio terá que investir em conhecimento, o que lhe possibilitará realizar as transformações necessárias para esse processo (TEGON b, s/d). Também, a utilização da tecnologia facilita os processos organizacionais, mas cabe ressaltar que esta facilidade não deve ficar apenas nas questões de softwares de folha de pagamento, entre outros, mas principalmente no auxílio na comunicação interna entre os funcionários, com os clientes e fornecedores, bem como na redução dos custos do negócio que agregam valor á empresa (DO CARMO, s/d).
Cada vez mais a internet é usada para ampliar os negócios, realizar o marketing, e ampliar a rede de relacionamento, o que representa uma importante vantagem competitiva para a empresa (CORRÊA, s/d). Outra facilidade que a internet trouxe foi em relação ao treinamento dos funcionários realizados pela empresa. Criou-se o e-learning, muito utilizado em organizações que têm filiais em outras cidades e estados. É o conhecimento que cruza barreiras de forma rápida, eficiente e de baixo custo, pois alcança um grande número de pessoas que não precisam se deslocar de sua cidade para receberem o treinamento. Além disto, o e-learning possibilita que os funcionários possam estudar o material em qualquer lugar a partir do tempo disponível de cada um por meio de seus computadores pessoais (FELIPINI, s/d).
Também, uma forma adotada pelas empresas para enfrentar este desafio é de atrair, reter e desenvolver talentos com a construção de políticas neste sentido. Somado a isso, as empresas devem transforma-se em grande pólo de educação, como instrumento multiplicador e construtor dos valores da organização, além da prática de aprendizado contínuo que é encontrado na Educação Corporativa, por exemplo (VIANNA, s/d). Aliado a essas práticas cabe ressaltar a importância de um planejamento para que a organização possa traçar seus objetivos e estratégias para enfrentar um período de crise (VIANNA, s/d).
Sendo assim, traçou-se um perfil para que os profissionais tenham lugar nessa realidade. Para a obtenção dos resultados e pertencer ao mundo da tecnologia, os profissionais devem estar comprometidos e disponíveis para a aprendizagem e o aperfeiçoamento permanentes em uma perspectiva pessoal e em relação ao ambiente de trabalho. Superar obstáculos e transpor as barreiras culturais possibilitam que a organização alcance seus objetivos. Ou seja, o profissional deve ser um empreendedor dentro da organização promovendo uma transformação, concebendo, desenvolvendo e concretizando novas ideias (S.l.:s.n).
Portanto, as mudanças que a tecnologia trouxe já fazem parte do nosso dia-a-dia, seja no trabalho, em casa ou nos momentos de lazer. Não há como fechar os olhos para algo que a nossa rotina já está concretamente dependente. Possivelmente existam pessoas que tentam se colocar á margem desta necessidade criada pelo próprio homem, para o próprio homem, mas elas correm o risco de não serem mais notadas pelo mercado de trabalho.
Se inicialmente a tecnologia foi vista como a suposta causadora do distanciamento entre as pessoas, hoje não há como negar que se for bem direcionada só traz benefícios e vantagens neste processo de comunicação e acumulo do conhecimento. A necessidade da informação quase que instantânea abriu um imenso leque de oportunidades para as pessoas que buscam a qualidade no seu serviço e o imediatismo no retorno de seus anseios, mesmo que não exclusivos da vida laboral.
O fato de não podermos abrir mão da tecnologia em nossas vidas, criou, inquestionavelmente, uma dependência da sua utilização como forma de que os profissionais possam sobreviver na selva da informação. Quanto mais novidades chegam ao consumidor, mais se cria uma utilização para ela, como se o mundo não funcionasse até a existência destes aparatos tecnológicos. Não se questiona mais a possibilidade de dispensar algo que pode não agregar tanto valor a nós. É a orgia tecnológica.
Penso que o surgimento do dessa tecnologia, veio para facilitar a realização de nossas tarefas. Já não estávamos dando conta de digitar um monte de papelada na máquina de escrever, porém, se um erro fosse cometido todo o trabalho poderia correr o risco de ser inutilizado. Isso é fato. Mas como lidar a possibilidade de perder o emprego para essa tecnologia que foi inventada com o objetivo de melhorar a qualidade de vida no trabalho?
Será que a globalização era uma necessidade da qual não tínhamos como fugir? Vivemos até 10 anos atrás no tempo das cavernas? É a sensação que dá. A ideia que toda essa tecnologia quer transmitir é que o mundo não existia antes dela e que agora ou vocês a aceita, ou em pouco tempo será consumido por ela. Entretanto, tudo isso deixou o ser humano vulnerável, com medo de perder o meio de sua subsistência e daquilo que lhe dá valor e pelo qual é reconhecido no meio em que vive: o trabalho.
Talvez os trabalhadores do nosso país não tenham sentido tanto os efeitos desta reprodução em massa da tecnologia, pois as novidades custam a chegar aqui, mesmo na era da globalização da informação. Por certo, somos ainda muito conservadores quanto a dispensar de forma radical o trabalho da força humana, mas como se vê em alguns países desenvolvidos, esse momento pode estar próximo.
Enfim, é fundamental que andemos junto e fiquemos atentos com o que ocorre no mundo. São muitos os desafios que surgem e para o qual os profissionais modernos devem estar prontos a enfrentar. Todavia, penso que seja importante não esquecermos de que desde o início, quando ainda andávamos em quatro patas e nos comunicávamos por gestos e susurros, o grande anseio do Homem foi o de conseguir sobreviver às mudanças e de buscar sempre a interação com os outros seres humanos.
ALECRIM, Emerson. O que é tecnologia da informação – TI. Disponível em:
COLEN, Carlos. Tecnologia da Informação e sua importância no mundo globalizado. Disponível em:
CORRÊA, Ana Cláudia. Estudos de casos: o processo de incorporação da internet nas estratégias de negócios das empresas. Disponível em:
DO CARMO, Romeu Mendes. Gestão da tecnologia da informação. Disponível em:
FELIPINI, Dalton. E-learning: o ensino do novo milênio. Disponível em:
EMPREENDEDORISMO: a base da sociedade do conhecimento. [S.l.: s.n].
LOUREIRO, Roberto de Oliveira. Tecnologia muda o trabalhador. [S.l.: s.n.]
MONTEIRO, Lúcia Guimarães. Equipes virtuais. Disponível em:
PESTANA, Maria Cláudia et al. Desafios da sociedade do conhecimento e gestão de pessoas em sistemas de informação. Ciência da Informação. Brasília, v.32, n.2, maio/ago. 2003.
TEGON, Cezar Antônio. Gestão de pessoas na era da informação. (a) Disponível em:
__________________. Pessoas como fator competitivo. (b) Disponível em:
REVISTA EXAME. Edição 963. N° 4. 10/03/2010. ANO 44. Editora Abril.
SCISTOWSKI, Luiz. O mercado de trabalho e os profisisonais do terceiro milênio. Disponível em:
VIANNA, Marco Aurélio Ferreira. A revolução do invisível. Disponível em:
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